Open banking: o que é e como funciona?

Atualizado: 18 de jun. de 2020


SÃO PAULO – O open banking promete mudar a forma como o mercado financeiro funciona, impactando diretamente bancos, fintechs e outros negócios relacionados. É uma espécie de plataforma que permite a integração das chamadas de interface de programação de aplicativos (API, na sigla em inglês).

Conceito: cliente é dono dos seus dados

Rafael Pereira, CEO da Rebel, uma fintech de empréstimo pessoal online, diz que o open banking é o sistema que permite que outras empresas e serviços acessem os dados do clientes – com a autorização explícita. Um dos princípios é que os dados bancários pertencem aos clientes e não às instituições.

Na prática, para o consumidor final, o open banking regulado e funcionando no Brasil permitiria que as pessoas movimentassem suas contas a partir de diferentes plataformas e não só pelo aplicativo ou site do banco.

“A ideia é deixar o sistema financeiro mais transparente e competitivo, além de empoderar o cliente, que passa a ser dono de seus dados e pode transacionar isso da forma que lhe for mais conveniente”, explica. 

A proposta é que as instituições financeiras se concentrem na suas operações principais e possibilitem que outras empresas tenham acesso às suas interfaces e desenvolvam novos produtos a partir disso. Mas essa  etapa de desenvolvimento e inovação só será possível graças à API.

Mas afinal, o que é API?

A interface de programação de aplicativos (API, na sigla em inglês) é um conjunto de padrões de programações que permite que sistemas diferentes interajam entre si. As APIs são usadas em aplicações de vários tipos e não apenas em plataformas financeiras.

Assim, as APIs permitem que desenvolvedores de outras empresas de tecnologia criem outras aplicações e serviços que possam funcionar em conjunto com os dados  dos bancos. Ou seja, é uma maneira de fazer com que empresas e desenvolvedores integrem seus respectivos sistemas, compartilhem dados e realizem transações de forma automatizada e segura.

Para exemplificar, o Google Maps é utilizado por vários sites dentro de suas páginas. Isso é possível porque existe uma API permitindo o uso do serviço em diferentes endereços da internet. Para o usuário, o funcionamento da interface é invisível.

Desvantagem para os grandes?

Do ponto de vista do bancos tradicionais, compartilhar essas informações com mais pessoas representa uma quebra de barreira. Significa que essa categoria vai ter que adaptar seu modelo de negócio. 

Existe uma certa resistência no setor, porque as empresas mais antigas têm informações exclusivas que hoje não precisam compartilhar com concorrentes como as fintechs, por exemplo. Esse novo modelo os obrigaria a liberar esses dados caso seja essa a vontade do cliente. 

Embora o setor não tenha dado um impulso para o assunto open banking, o tema já está na pauta dos maiores bancos do país – e seus representantes reconhecem que a chegada do novo conceito beira o inevitável. 

Para Maurício Minas, vice-presidente do Bradesco, as instituições financeiras podem aproveitar essa abertura de dados e informações para se integrar a novas cadeias de serviços e oferecer novos produtos, gerando novas fontes de receitas a partir de informações que antes também não tinham. 

“O fluxo de dados sobre o que as pessoas fazem com a vida financeira que vai passar por nós vai aumentar e teremos acessos a novos dados que não temos hoje”, explicou o executivo no evento Brazil Investment Fórum, que aconteceu em São Paulo.  

Além disso, ao facilitar a criação de novas aplicações que ganham tempo e oferecem praticidade para o cliente, o banco tem a possibilidade de focar na experiência e amplia suas possibilidades de negócios com uma melhora da sua tradicional “imagem burocrática”.


Fonte: Infomoney




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